quarta-feira, 16 de abril de 2014

#3 - DOS PINHAIS, Fiama Hasse Pais Brandão

Ondulando, os pinhais
quiseram ser o mar.
Murmurando, quiseram ser
o vento. Mas somente
no meu ouvido eram vento,
nos meus olhos, mar.

E hoje, ali na encosta,
pinhais bordejam
o mar, sustêm o vento.

#2 - DA ÁRVORE, NUMA RUA DE LISBOA, Fiama Hasse Pais Brandão

Esta árvore só, insana,
chamou a si todos os pássaros
da rua. E aceita, assim,
mil olhos que, no crepúsculo
da tarde, se fecham,
mil olhos, abertos
no crepúsculo da manhã.



Av. da República, 1996